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100 dias de home office: o que mudou no trabalho

Análise realizada pela KUBIX nas redes sociais traz percepções sobre o aprendizado profissional na quarentena

Uma coisa é certa: muita coisa mudou nos últimos três meses e várias dessas mudanças vieram para ficar. Passamos o outono inteiro em home office e, como consequência, muitas empresas já adotaram o trabalho à distância como parte de sua estratégia para aumentar a produtividade e reduzir custos.

Mas qual foi a experiência dos profissionais nesse período? Entender esse aspecto fundamental para as mudanças no mundo corporativo foi o objetivo da análise realizada pela kubix a partir de mais de 9 mil posts capturados no Facebook e no Instagram em dois períodos: o início do isolamento social (23 a 30 de março) e o começo das iniciativas de flexibilização (4 a 10 de junho).

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O levantamento abordou os novos hábitos adotados no home office, a gestão do tempo e da produtividade, as relações entre o trabalho e a família e as percepções sobre as dinâmicas profissionais. Em todos esses tópicos, há aprendizados e diferenças importantes entre os sentimentos registrados pelos profissionais nos dois momentos.

Em março, o isolamento forçado era visto como novidade passageira. O principal desafio naquele início da quarentena era a adaptação à nova rotina, com a conciliação entre as tarefas profissionais e domésticas. Subitamente, a família entrou no trabalho e o trabalho entrou na família. Como harmonizar home office, home schooling e a limpeza da casa? O tempo maior de convivência em casa era o lado bom.

“Tirar o pijama, tirar o pijama, tirar o pijama!” foi um dos memes que circularam, entre dicas relacionadas à organização do tempo e do espaço de trabalho para o home office. Para muitos, o isolamento trouxe a oportunidade da reinvenção. Pequenos espaços domésticos mimetizaram salas de ginástica, com apoio de aulas virtuais no computador. O tempo poupado no trânsito foi ocupado com a retomada de projetos pessoais – cuidar das plantas, aprender um instrumento, desenhar, ler, cozinhar, ver filmes e séries.

Depois de quase três meses, multiplicaram-se os relatos de noites mal dormidas e da preocupação com o futuro. O ímpeto inicial de muitos pelos exercícios físicos diminuiu, mas a busca de novas experiências, como melhorar a alimentação, racionalizar o consumo e resgatar atividades artesanais persistiu. A percepção de que, em casa, se trabalha mais, amadureceu em discussões sobre as vantagens e oportunidades de aceleração da transformação digital, a importância do planejamento e da disciplina individuais e a necessidade de interação com os colegas e de engajamento das equipes remotas.

Estresse e ansiedade na família – dos pais e das crianças – ganharam destaque nos posts nesse período. Cresceu a discussão sobre a divisão das tarefas domésticas entre homens e mulheres. Aumentou a saudade dos amigos e parentes e das situações de convívio social. E também o compartilhamento das experiências concretas de como organizar e administrar o tempo entre as atividades profissionais e pessoais.

No balanço entre os dois períodos, emergiu a incerteza quanto ao que virá – e quando – após a pandemia. E a certeza de que nem o trabalho nem as empresas permanecerão os mesmos de antes. O aprendizado da versatilidade e da flexibilidade, que continuamos todos a vivenciar por tempo ainda indefinido, será uma condição fundamental para o “novo normal”.

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